sábado, 17 de junho de 2017

BULLYING: BRINCADEIRA OU MALDADE?


                                                       







   BULLYING:


BRINCADEIRA OU MALDADE?

Por Gina Lima
Orientadora Educacional do CED 416 de Santa Maria
Professora da EJA do CEF 316 de Santa Maria



O enfrentamento do Bullying, além de ser uma medida disciplinar, também é um gesto tremendamente educativo,
pois prepara os alunos para a aceitação, o respeito
e a convivência com as diferenças"
Içami Tiba




   "É um desafio para este século XXI,           compreender,  intervir, mobilizar,
conscientizar e combater o Bullying”

  
A sociedade atual vivencia e suplica pela consolidação de uma cultura de paz, em especial no espaço escolar, onde a violência tem deixado sua marca nos altos índices de reprovação, na evasão escolar, na qualidade das aulas e em consequência, no baixo rendimento durante o ano letivo.
                 A reclamação é geral, os pais dizem não saber que atitude tomar com seus filhos, os professores estão angustiados e sentem-se desamparados, a direção das escolas e os orientadores educacionais estão buscando saídas para combater esses males que tem atingido as crianças, os jovens e os adultos estudantes. 
        Portanto, é um desafio para este século XXI, compreender, intervir, mobilizar, conscientizar e combater as inúmeras causas que está levando nossos jovens e prematuramente nossas crianças a cometerem atos de violências no interior e fora das nossas escolas.

          A violência escolar, conhecida como Fenômeno Bullying, é uma questão que tem ocupado lugar de destaque nas páginas jornalísticas, é tema discutido em novelas e vem se alastrando nos espaços escolares envolvendo alunos de diferentes níveis e modalidades da educação. 

         Atos violentos sempre ocorreram nas escolas, porém somente no início dos anos 70, a Noruega, considerada um país de baixa violência, iniciou a investigação desse fenômeno, mas não recebeu a necessária atenção das instituições e autoridades. O suicídio de três jovens, na década de 80, desencadeou atitudes que culminaram na Campanha Nacional Anti-Bullying, em 1993. 
          No Brasil muitos estudos estão sendo realizados, entre eles as pesquisas de Cléo Fante (2003, p.61) baseada em dados internacionais, onde detectou que de 7 a 24 % das crianças em idade escolar no globo terrestre, estão envolvidas com alguma forma de condutas. Cabe aqui destacar a ação do Projeto Educar para a Paz, que estimula os alunos a escreverem redações sobre suas vidas na escola e em casa, como forma de desabafo das vítimas. 

O que é BULLYING?

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  A expressão BULLYING, vem do inglês e não há na nossa língua palavra que resuma o conjunto de atitudes agressivas, intencionais e  repetidas sem motivo aparente, cometidas por um aluno ou grupo contra outro, causando angústia e sofrimento.




As principais formas de maus-tratos:

Físico - bater, chutar, beliscar;
Verbal – colocar apelidos, xingar, zoar;
Moral - difamar, caluniar, discriminar, ofender parentes;
Sexual - abusar, assediar, insinuar;
Exclusão Social – ignorar, excluir, isolar;
Psicológico - intimidar, ameaçar, perseguir, dominar;
Material - furtar, roubar, destroçar pertences e
Virtual - zoar, discriminar, difamar, por meio da internet e celular.

As intimidações podem, ainda, ter caráter:
Homofóbico - ter aversão, repugnância, preconceito ódio, preconceito contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais ou transexuais;

Racial/étnico - as vítimas são escolhidas por causa da cor de sua pele, a forma como eles falam, seus grupos étnicos ou por suas práticas religiosas ou culturais.

       Essas atitudes podem ocorrer em qualquer ambiente social como em casa, no clube, no local de trabalho e outros, mas é dentro das escolas que o problema acontece com maior frequência. A sala de aula pode se tornar insuportável para crianças e jovens que sofrem nas mãos de seus próprios colegas e a internet pode potencializar os efeitos devastadores do bullying.

Cyberbullying

  O bullying pode ser manifestado com a presença da vítima ou não. Há ainda o cyberbullying, que é a utilização das redes sociais (Facebook, Twitter, LinkdIn, MSN Messenger ou no celular (fotos, mensagens) para praticar as agressões.                      Segundo Cléo Fante  internet, que pode ser um instrumento de auxílio às vítimas é também é usada por agressores em uma forma ainda mais prejudicial de bullying, o ciberbullying, que transfere para a internet as agressões que acontecem na sala de aula, no pátio e nos arredores do colégio, transcendendo os limites da escola. 
            Para humilhar colegas de escola, os agressores utilizam e-mails, mensagens de celular, fotografias digitais com montagens degradantes, blogs com mensagens ofensivas, vídeos humilhantes e ofensas em salas de bate-papo.

As causas

As causas que estão levando nossos jovens, a praticarem os atos acima citados, segundo Cléo Fante, são as mais adversas como:

-os fatores biológicos referentes à idade;
-a violência mostrada nos os meios de comunicação;
-a personalidade do indivíduo;
-os problemas sociais;
-os conflitos familiares;
-as agressões e emoções vividas nas relações interpessoais;
-os ambientes familiares violentos;
-o fascínio pelos jogos eletrônicos e
-o tráfico e uso de drogas.

As consequências

O bullying desencadeia uma série de consequência aos sujeitos escolares e principalmente aos professores tais como: 
     
-a perturbação das aulas;
-o absentismo, que é a falta de assistência às aulas;
-os problemas somáticos e psicológicos, como a ansiedade, tédio, depressão;
-a falta de interesse e desencanto pela escola,
-queda do rendimento escolar;
-a falta de perspectiva de futuro melhor, via educação;
-diminuição na autoestima;
-evasão escolar;
-retenção escolar;
-descrença no poder público.

                  O Fenômeno Bullying é silencioso e cruel, não afeta apenas o ambiente escolar, traz consequência negativas para a formação de valores e do caráter de nossos jovens. Poderá afetar o futuro profissional dos nossos estudantes, levando-os ao uso de drogas, a cometer violência sexual e doméstica, cometer crimes contra o patrimônio, e gerar altos gastos do governo para atender a demanda da justiça, dos presídios, dos programas sociais e da saúde.

Como identificar agressores e agredidos no ambiente escolar




Os agressores:

-Não acata ordens dos pais ou professores;
-Volta da escola com ar de superioridade;
-Tenta impor suas vontades aos demais;
-Apresenta aspecto e atitudes irritadiças, mostra-se intolerante às diferenças;
-Costuma resolver seus problemas valendo-se da sua força física e/ou psicológica.
-Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva também com adultos;
-Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem;
-Exerce uma liderança negativa

As vítimas apresentam:

-Baixo rendimento escolar, desmotivação, dificuldade de aprendizagem;
- sente medo;
- Volta para casa irritado, com pertences rasgados;
- Não querer ir a aula simulando doenças como dor de cabeça, náuseas;
- Pede para mudar de sala ou trocar de escola, sem motivos convincente;
- Apresenta aspecto deprimido, aflito e não gosta de falar sobre sua rotina escolar;
- “Perde” dinheiro e evita falar sobre o assunto.
- Tem pesadelos, sono conturbado, às vezes acorda pedindo socorro.
- Acaba por isolar-se em seu mundo, possuindo pouco ou nenhum amigo.

 Testemunhas


Todos os que são obrigados a viver em um ambiente de intimidação, ansiedade e medo gerado pelo Bullying.

- Formam a grande maioria dos alunos;
- Convivem com a violência;
- Calam-se em função do medo de se tornarem a “próxima vítima”;
- Sentem-se incomodados com o que vêem;
- Podem ter sua capacidade de desenvolvimento escolar e social prejudicada.

Dicas para os pais:

- Use meios não violentos para impor limites.
-Jamais use castigos físicos. A maior lição que o “tapinha” ou a “chinelada” dá é que a violência soluciona conflitos. Use o diálogo;
- Não intimide seu filho - ou o trate como um “problema”, nem o humilhe;
- Não o pressione para o sucesso - o incentive a estudar;
- Converse com seu filho, mostre que não aprova o comportamento, mas não deixa de amá-lo;
- Crianças e adolescentes merecem respeito. Valorize suas opiniões. Trate-os de maneira firme, com afeto; 
-Olhe seus filhos sempre nos olhos;
- Se seu filho for alvo de agressões não o culpe, nem exija que ele se imponha perante os colegas. Não exponha seu filho perante a turma. Procure ajuda da escola, converse com o\a Orientador\a Educacional da escola ou algum\a professor\a que você tenha boa relação;
- Se seu filho for autor de agressões mantenha a calma e procure compreender o que o leva a esse comportamento, mostrando que ele está errado. Incentive a mudança de atitudes;
- Auxilie e participe das ações da escola e, acima de tudo, seja um exemplo positivo para seus filhos. Vínculos afetivos e bom exemplo dos pais ou responsáveis são a chave para o sucesso na educação dos filhos.



Dicas para reduzir o Bullying dentro das escolas:

- Esclarecer o que é o bullying
- Avisar desde o primeiro dia de aula de que a prática do bullying não é tolerada na escola e estimular os alunos a avisarem sempre que ocorrer este fato;
- Estimular os estudantes a fazerem pesquisas sobre o tema na escola;
- Promover debates sobre bullying nas classes, fazendo com que o assunto seja bastante divulgado e assimilado pelos alunos.
-Identificar possíveis agressores e vítimas (questionário)
-Escutar qualquer tipo de problema, reclamação ou sugestão dos alunos.
-Valorizar e reconhecer atitudes positivas de alunos no combate ao bullying.
-Dar oportunidade aos alunos para que criem regras de disciplina para suas próprias classes, em coerência com as regras da escola.
-Estimular lideranças positivas entre os alunos prevenindo a formação de agressores e futuros casos de bullying;
-Interferir nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de bullying;
-Fazer mapeamento das salas afastando possíveis autores de bullying de seus alvos;
-Permitir que os alunos busquem soluções capazes de modificar o comportamento e o ambiente;
-Sempre que ocorrer alguma situação de bullying procurar investigar os fatos, conversando com agressores e vítimas;
-Elaborar projeto que aborde o tema;
-Evitar focalizar alguma criança em particular;
-Conversar com a turma sobre o assunto, discutindo sobre a necessidade de se respeitarem as diferenças de cada um. Reflita com eles sobre como deveria ser uma escola onde todos se sentissem felizes, seguros e respeitados.

Dicas de vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=aIjRTYa7UK0

https://www.youtube.com/watch?v=M6EQh7WeVHI

https://www.youtube.com/watch?v=gAEi6TgDF3A


Buscando soluções


           O primeiro passo é que a vítima precisa compreender que ser alvo dessa violência não é motivo de vergonha. Perceber que o silêncio não resolve nada e pedir ajuda. Contar para os pais ou alguém de confiança, além da direção da escola. Buscar recuperar a auto-estima dos alunos.
Quanto mais ler sobre o assunto, melhor. Aos poucos o aluno vê que não tem culpa do que acontece, e que quem o agride também precisa de ajuda, afinal, agredir outro para se sentir melhor não é algo saudável. 
 A escola é um dos espaços que favorece a continuidade dos maus-tratos, por isso, Cléo Fante recomenda que especialistas no assunto discutam com os profissionais da escola e com os alunos, encontrando maneiras de prevenir o bullying em suas diversas formas, com o objetivo de melhorar a qualidade das relações pessoais e de ensino. 

Fontes: Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA).
Fenômeno Bullying, Cleo Fante - Editora Verus 2005

http://www.bullying.com.br/
http://www.denunciar.org.br/
http://www.diganaoaobullying.com.br/
https://www.youtube.com/watch?v=aec-i7n6V48 O preconceito cega




 











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